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Itajaí tem a menor taxa de mortalidade infantil dos últimos 16 anos

O enfrentamento positivo diário aos desafios por parte dos profissionais de saúde pública de Itajaí em conjunto com o crescimento na conscientização das famílias para a importância da realização de um pré-natal correto, seguido do devido acompanhamento neonatal do recém-nascido, acaba de ser comprovado em números.

Levantamento preliminar do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos da Secretaria de Saúde de Santa Catarina (SINASC) aponta que Itajaí está com o coeficiente de mortalidade infantil para menores de um ano em 5,88 – com 12 mortes para um total de 2045 nascidos vivos no período de 1º de janeiro a 09 de agosto de 2016.

Este é o menor índice registrado pela cidade desde 2000. No ano passado, por exemplo, a taxa de mortalidade infantil na cidade foi de 13,44, e no ano anterior havia reduzido para uma taxa de 10, em menores de um ano. Para se chegar ao coeficiente de mortalidade infantil, são analisados três diferentes dados: a mortalidade neonatal precoce (até sete dias de vida), a mortalidade neonatal tardia (entre sete e 27 dias) e mortalidade pós-neonatal (dos 28 dias até um ano de idade).

O ótimo resultado preliminar da taxa de mortalidade infantil de menores de um ano em 2016 de Itajaí, neste momento com coeficiente de morte infantil de 5,88, é fruto de um intenso trabalho da Secretaria de Saúde, por meio das diretorias de Vigilância Epidemiológica (DVE) e da Diretoria Atenção à Saúde (DAS), por meio da Estratégia Saúde da Família (EFS).

Iniciadas em 2014, as ações estratégicas pensadas para a redução da mortalidade infantil contaram com a sensibilização e capacitação das equipes, a devolutiva dos resultados alcançados para as equipes da Estratégia Saúde da Família e a contínua troca de informações entre as diretorias.

A atenção ao pré-natal de risco usual e às gestantes de alto risco, com a ampla discussão dos protocolos de atenção à saúde da gestante, foram muito importantes na redução das mortes neonatais precoces, destaca o pediatra, neonatologista e consultor da Saúde da Criança da Secretaria de Saúde de Itajaí, Márcio Fossari. Ele recorda que o Programa de Atividade Educacional para as Equipes da ESF teve, em seu primeiro encontro, 130 Agentes Comunitários de Saúde (ACS) para informação e sensibilização sobre a mortalidade infantil do Município de Itajaí – ainda no início do ano de 2014 e deu-se continuidade às atividades com mais quatro encontros, incluindo as categorias de técnicos de enfermagem e enfermeiros da Estratégia Saúde da Família, totalizando 159 profissionais capacitados.

Nascer Itajaiense

“Para o alcance deste número positivo, também acreditamos ter sido fundamental o programa Nascer Itajaiense, que resumidamente trouxe o contato logo após a data de nascimento do recém-nascido e da parturiente com a Unidade de Saúde que realizou o pré-natal e realizará a visita domiciliar precoce, até sete dias de vida do bebê, essencial para redução de intercorrências neonatais e verificação e apoio ao aleitamento materno exclusivo”, explica Márcio Fossari.

O Programa Nascer Itajaiense reduziu o tempo de verificação do nascimento e a certificação de intercorrências para acompanhamento precoce do recém-nascido e mãe. A presença de uma enfermeira dentro do Alojamento Conjunto do Hospital e Maternidade Marieta Konder Bornhausen, integrando a equipe de atendimento ao recém-nascido e a parturiente desde seu nascimento foi essencial para melhoria dos resultados. A confirmação com carimbo no cartão de saúde da criança ampliou o conhecimento sobre a responsabilidade dos pais nos cuidados iniciais do recém-nascido.

“Ficamos muito satisfeitos em termos a confirmação com números de que estamos trabalhando no caminho certo e para Itajaí permanecer com a mortalidade infantil abaixo da taxa de 10 casos para cada 1.000 nascimentos, é fundamental manter todas as ações e unir as estratégias de proteção à Saúde da Criança”, completa a secretária de Saúde de Itajaí, Rachel Marchetti.

Nas instruções, o neonatologista menciona que foram abordados temas sobre o atendimento integral e humanizado à gestante e apoio à amamentação exclusiva até os seis meses de idade. Ainda foi explanado sobre os cuidados com as crianças nos primeiros dois anos de vida, instrumentalizando os profissionais para realização das visitas domiciliares precoces e ações para verificação de vulnerabilidades e situações de risco.

Estratégia Amamenta e Alimenta Brasil

A Estratégia Amamenta e Alimenta Brasil (EAAB), é outro fator imprescindível para a redução no coeficiente da mortalidade infantil itajaiense, destaca Márcio Fossari. A EAAB reúne um grupo multiprofissional que trabalha para reforçar a necessidade do Aleitamento Materno exclusivo até os seis meses de idade e a correta introdução dos alimentos após os seis meses, sem necessidade de interromper o aleitamento antes dos dois anos, sendo esse um alimento integral.

A fundamentação do acolhimento a toda mãe que se dirija até uma unidade de saúde do município com criança menor de dois anos e a necessidade do atendimento integral às necessidades da criança e da família também são fatores colaborativos para o resultado positivo, ressalta o neonatologista. Assim como o papel das consultas de promoção em saúde e a interação entre os profissionais de saúde na execução de seu trabalho, o trabalho fundamental dos agentes comunitários de saúde, os técnicos de enfermagem, enfermeiros e médicos, sejam eles da ESF ou pediatras que têm o foco na Saúde da Criança.

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