Brasil

Crivella acusa Globo de chantagem, mas isso a Globo não mostra

Ao se indispor com uma repórter da Rede Globo durante uma entrevista com vários jornalistas sobre a tragédia das chuvas, o prefeito do Rio Marcelo Crivella acusou: “O que a Globo quer é dinheiro na sua propaganda, o que ela quer é que a gente faça uma festa no carnaval e ela possa vender R$ 240 milhões com a Prefeitura pagando todo o carnaval. Isso está errado. Então, o que elas fazem é chantagem, é chantagem, isso não tem nada a ver com interesse da cidade. E seguramente não vão colocar isso no ar”.

Crivella diz que a Globo quer dinheiro

Crivella diz que a Globo quer dinheiro

Dito e feito, a fala de Crivella foi editada para passar a interpretação de que o prefeito achava corriqueira a tragédia da chuva. E pior: a Globo omitiu o trecho em que é acusada de chantagem e manteve apenas a referência ao Carnaval. Ao acusar a emissora de chantágea-lo,  Crivella toca numa ferida aberta há décadas: as controversas relações da Globo com o poder, em todas suas esferas.

Antecessor de Crivella, Eduardo Paes, foi generoso com o grupo Globo, não só  em montantes de verbas publicitária mas em acordos firmados entre a Prefeitura e a Fundação Roberto Marinho e o Infoglobo. Com o então governador Sérgio Cabral preso e condenado a penas que chegam a quase 200 anos de prisão, a relação também, foi, digamos cordial.

Em 2011, por exemplo, o então secretário de Segurança do Estado do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, recebeu do jornal “O Globo” o Prêmio Faz Diferença de Personalidade do Ano pela implantação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP), modelo que se mostrou ineficiente no combate do crime nos morros do Rio e não reduziu a criminalidade, ao contrário. Não se viu na Globo o mesmo ímpeto de outras emissoras em expor os escândalos de Sérgio Cabral até les se tornarem gigantescos.

Afago para uns, arsenal pesado contra outros. Na eleição de Leonel Brizola em 1982 a Globo embarcou no famigerado escândalo da Proconsult, empresa que divulgava números fraudados para minar a eleição de Brizola, que durante todo seu governo andou as turras com a emissora.

Em1989, é famosa a edição do debate entre Lula e Collor que ajudou a sepultar a vitória do metalúrgico, sem contar o descaso e a indiferença da emissora em noticiar a mobilização pelas eleições diretas no país em 1983 e 1984 que reuniram mais de um milhão de pessoas nas ruas de São Paulo e Rio de Janeiro. Vem daí o slogan: “O povo não é bobo, abaixo a Rede Globo”.

A relação umbilical com Ricardo Teixeira, investigado por negócios escusos envolvendo fraudes e recebimento de propinas de patrocinadores da seleção brasileira, também é sempre lembrada. Ao deter o monopólio das transmissões dos principais campeonatos do futebol brasileiro, inclusive as edições da Copa do Mundo, a Globo se tornou uma das principais parceiras comerciais da CBF de Texeira e segundo o próprio dirigente parceiro também no jornalismo.

Numa célebre entrevista a revista Piauí, Teixeira afirmou sobre as denúncias de corrupção que se avolumavam contra ele: “Só vou ficar preocupado, meu amor, quando sair no ‘Jornal Nacional’. É isso aí. A Globo foi a última emissora a “perceber” que Ricardo Teixeira estava mergulhado num mar de corrupção, que só começou a ser mostrado pela emissora quando ela ficou ameaçada de perder os privilégios da CBF.

R7

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